quarta-feira, dezembro 23






Quem for pro MAR, abrace várias ondas, pois como diz a minha avó, a onda tem UMA ENERGIA ! Quem for pra SERRA, respire fundo; quando inspirar, pense nas coisas boas que acontecerão em 2010, quando expirar, pense que está deixando, simbolicamente, as coisas chatas de 2009 pra trás. Quem for pro CAMPO, saia correndo "campo a fora" gritando bem alto todos os desejos de 2010. Quem ficar na cidade, saia correndo e gritando como se estivesse no campo; ao mesmo tempo, respirando fundo como se estivesse na serra e abraçando onda como se estivesse no mar, pois a cidade vai tá vazia mesmo, sem perigo de alguém achar que vocês enlouqueceram. Imagina o alívio depois deste exercício ! Agora, quem for pra uma cidade,"tipo" PARIS, nossa, já é tão feliz que basta ficar olhando a paisagem (alguém vai pra Paris e precisa de uma ajudante pra carregar as malas? Estou me candidatando, e olha que tá nevando lá, pra vocês verem que eu sou amigona mesmo). Deixando as brincadeiras de lado, desejo pra todos vocês um BOM E BELO descanso, junto com um Natal MARAVILHOSO e um Ano Novo bem DIVERTIDO, pois, como já dizia alguém que eu não sei bem quem é, mas com certeza é um sábio (com todo respeito aos sérios sábios): o que se leva dessa vida é o que se come e o que se brinca !!!! Bjinhos da amiga, Mariana
(Texto enviado por Valesca Gobbato Lahm)

quarta-feira, dezembro 9


Cansei, mas não sem ter ao menos tentado, pois tentei;
Cansei, mas não sem ter ao menos extravasado, pois extravasei;
Cansei, mas não sem ter ao menos sentido, pois senti.

Ah e como senti!
Senti no fundo d’alma, pois foi assim que me entreguei.

Outros poderão dizer-se ainda preparados para o novo dia que surge por detrás das montanhas. Entre eles, eu não me incluo. E não por ser preguiçoso ou coisa que o valha,
mas porque ao olhar para trás percebo que a energia despendida realmente valeu a pena, e ao olhar para o futuro, já não o quero com aquela mesma gana de outrora.

Cansei.
É a tua vez de viver!


Texto publicado no Caderno de Literatura da Ajuris. Porto alegre, novembro de 2009. Ano XIII. n. 18.

quarta-feira, dezembro 2

Aconteceu ontem à noite


Já era tarde quando fui dormir. Mais uma vez abandonei qualquer chama de dignidade e ridicularizei-me em frente ao meu marido.
Desde que retornei da clínica, por diversas vezes tentei aproximar-me dele como mulher, mas as respostas são sempre negativas. Seu olhar, seu corpo e sua alma respondem que não me desejam, que não me querem por perto. Mesmo assim eu insisto.
Aproximo-me com cautela. Aos poucos ele parece me perceber no ambiente. Em minutos, contudo, tenho a sensação de ser mais um utensílio velho jogado naquela peça que fede a mofo.
Vou a sua direção. Ele finge rabiscar em seus papéis e sequer olha para o meu rosto.
Minha única alternativa agora é o toque. Mas ele também repele meu corpo. Nem mesmo meus seios - fartos e ouriçados -, que antigamente eram apalpados com imensa vontade lhe chamam a atenção. Meus braços – com uma nesga de vigor - ao o enredarem tentam sugar a energia que outrora exalava de seu corpo, e que agora parece sem vida - ao menos para mim. Meus dedos quando se encorajam, ainda acariciam seus cabelos, mas não mais conseguem embalar seu sono.
Eu lhe suplico, mendigo amor. Ele me olha com nojo.
Não sou mais mulher, sou um ser vivo rastejante em busca de uma pedra aquecida pelo sol após um dia de tempestade.
Já era tarde quando fui dormir.